Da Redação
A Polícia Civil divulgou vídeos e fotos da Operação Proditio, que mostram o cumprimento dos mandados nas cidades de Araputanga (a 353 km de Cuiabá) e Jauru (a 406 km da Capital), ambas em Mato Grosso. A ação cumpre 21 ordens judiciais contra uma célula de facção criminosa envolvida nos crimes de tortura, homicídio e ocultação de cadáver de uma adolescente de 16 anos ocorrida em outubro de 2025, em Araputanga. Vejas imagens ao final da matéria.
Ao todo, são cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, três mandados de internação provisória, sete mandados de busca e apreensão e sete ordens de quebra de sigilo de dados telemáticos, expedidos pela Vara Única de Araputanga, com base nas investigações conduzidas pela Polícia Civil.
As ordens judiciais são cumpridas com a participação de policiais da Delegacia de Araputanga e da Regional de Cáceres. Entre os alvos estão integrantes que exerciam funções específicas dentro da facção, responsáveis por coordenar atividades criminosas e impor as chamadas “leis” do grupo na região.
Tortura e homicídio
O homicídio que vitimou a adolescente ocorreu no dia 19 de outubro de 2025, quando a vítima foi atraída para uma residência no bairro Jardim Village e submetida a um “salve”, um tribunal do crime da facção criminosa, que decretou a morte dela. Durante horas, a jovem sofreu torturas sistemáticas, incluindo agressões físicas com socos e chutes, afogamento em caixa-d’água, choques elétricos aplicados com ventilador adaptado e, posteriormente, foi estrangulada com um lençol.
O crime foi registrado em vídeo, gravado durante videochamadas com outros membros da facção, demonstrando a frieza e a organização do grupo criminoso. O corpo da vítima foi encontrado dois dias depois nas margens do Rio Bugres. O laudo necroscópico confirmou a morte por asfixia mecânica decorrente de estrangulamento, além de identificar lesões compatíveis com violência sexual e tortura. A perícia constatou ainda sinais de defesa e múltiplos hematomas pelo corpo.
Investigações
As investigações conduzidas pela Delegacia de Araputanga apontaram que o crime foi coordenado por lideranças locais da facção, que determinaram a execução da adolescente como forma de punição e exemplo para outros integrantes.
A motivação do crime estaria relacionada a conflitos internos da facção, uma vez que a menor teria suposto envolvimento no desaparecimento de um integrante do grupo criminoso, ocorrido dias antes, em contexto de traição passional dentro do grupo.
Por meio dos elementos apurados durante as investigações, foi possível descobrir a existência de uma hierarquia bem definida da facção, demonstrando que os investigados atuavam de forma organizada, exercendo funções estratégicas de liderança, disciplina e execução de atos violentos.
As investigações seguem em andamento.






