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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) protocolou, na terça-feira (07.04), petição criminal no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) solicitando autorização para a instauração de inquérito policial contra o deputado estadual Gilberto Cattani (PL). O processo tramita em segredo de justiça e foi distribuído à Primeira Câmara Criminal, vinculada à Turma de Câmaras Criminais Reunidas.
A ação está classificada como “Petição Criminal” e tem como assunto principal a “Competência por Prerrogativa de Função”, mecanismo que exige autorização judicial prévia para investigar autoridades com foro privilegiado, procedimento padrão aplicável a deputados estaduais perante o TJMT.
O pedido ministerial decorre de denúncia revelada com exclusividade pelo Portal #VGN: Assessora recebe diárias da ALMT para vender queijos da família de Cattani na feira na Show Safra Mato Grosso 2026, feira realizada entre os dias 23 e 27 de março, em Lucas do Rio Verde, a 332 km de Cuiabá.
A assessora parlamentar Nathalia Jovelina Rogério dos Santos, lotada no gabinete do deputado Cattani, recebeu R$ 1.620,00 em diárias da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), conforme o Portal da Transparência. O valor corresponde a 4,5 diárias referentes ao período de 24 a 28 de março, com finalidade registrada como “solicitação parlamentar de interesse institucional”.
No entanto, vídeos, incluindo um publicado pelo próprio parlamentar em suas redes sociais, mostram a assessora em atividade distinta da descrita nos documentos oficiais: Nathalia aparece ao lado de Sandra Cattani, esposa do deputado, comercializando queijos da família durante o evento. A divergência entre a justificativa formal e a conduta registrada nas imagens é o cerne das investigações.
Versão de Cattani
Sem explicar a contradição, Cattani gravou um vídeo na estrada, entre Paranaíta e Apiacás, e enquadrou o episódio como “narrativa da mídia”. O deputado sustentou que a assessora Nathalia se encontrava em missão oficial, vinculada ao estande da Assembleia no evento, e que ambos seguiram agenda pelo interior do Estado após o encerramento da feira.
O parlamentar, porém, não explicou por que a servidora aparece envolvida na comercialização de produtos da família durante o período coberto pelas diárias. O detalhe que fragiliza a versão: o próprio vídeo que registra a cena foi publicado pelo deputado em suas redes sociais.
Entre os documentos anexados ao processo no TJMT constam três arquivos de vídeo, um gravado em 1º de abril e outro em 6 de abril de 2026. Devido ao sigilo judicial, não foram divulgados detalhes sobre o conteúdo integral das investigações. A decisão sobre autorizar ou não a abertura do inquérito cabe ao colegiado da Primeira Câmara Criminal.






