Anvisa alerta para risco de pancreatite aguda com uso de canetas emagrecedoras

Imagem: Reprodução

VGN

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu, nesta segunda-feira (09.02), um alerta sobre o risco de pancreatite aguda em pessoas que usam medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. O aviso reforça que o uso indevido dessas substâncias pode levar a quadros graves da doença, inclusive com risco de morte.

A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas e pode provocar dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas, além de náuseas e vômitos. Em casos mais graves, a doença pode evoluir para formas necrotizantes e fatais.

Segundo a Anvisa, o risco já está descrito nas bulas dos medicamentos, mas o aumento das notificações no Brasil e no exterior levou a agência a reforçar as orientações de segurança. No início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) também alertou para o risco, ainda que pequeno, de pancreatite grave em pacientes que utilizam essas medicações.

O grupo inclui substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Esses medicamentos devem ser usados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e com prescrição e acompanhamento médico.

Dados da Anvisa mostram que, entre 2020 e 07 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos no país, incluindo seis casos com suspeita de óbito.

A agência destaca que o uso indiscriminado, especialmente para emagrecimento sem indicação clínica, aumenta significativamente o risco de complicações e pode dificultar o diagnóstico precoce de quadros graves.

Desde junho de 2025, farmácias e drogarias passaram a reter a receita médica desses medicamentos. A prescrição deve ser feita em duas vias, e a venda só ocorre com retenção da receita, que tem validade de até 90 dias.

Apesar do alerta, a Anvisa afirma que não houve mudança na relação entre risco e benefício das substâncias. De acordo com a agência, quando utilizados conforme as indicações aprovadas e sob acompanhamento médico, os benefícios terapêuticos continuam superando os riscos.

A recomendação é que pacientes que utilizam essas medicações procurem atendimento médico imediato ao apresentar dor abdominal intensa e persistente, especialmente se acompanhada de náuseas e vômitos. Profissionais de saúde devem interromper o tratamento ao suspeitar de pancreatite e não retomá-lo caso o diagnóstico seja confirmado.

A Anvisa também orienta que eventos adversos sejam comunicados pelo sistema VigiMed, que monitora a segurança de medicamentos e vacinas no país.

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