Prefeito de Nova Olímpia é investigado por compra de votos com cimento

Caminhão de cimento usado em esquema de compra de votos em Nova Olímpia
Denúncia aponta distribuição de cimento em troca de votos em Nova Olímpia. Imagem: Reprodução

Tangará Mil Graus

O juiz Anderson Gomes Junqueira, da 19ª Zona Eleitoral de Tangará da Serra, manteve em tramitação a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0600013-85.2024.6.11.0019, ajuizada contra o prefeito eleito de Nova Olímpia (MT), Ari Cândido Batista, conhecido como “Arizão” (PL), e seu vice, Eduardo Oliveira de Almeida (PP), por suspeita de abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio.

Também é alvo da ação o ex-prefeito José Eupídio de Moraes Cavalcante, que teria dado apoio político à chapa vencedora nas eleições de 2024.

Segundo a denúncia apresentada por João Carlos (União) e sua vice, Pastora Melissa (PSD), que compuseram a coligação “Nova Olímpia de Todos”, o grupo político adversário teria oferecido cimento a eleitores em troca de votos. A acusação aponta, entre outros fatos, que o eleitor José Cícero da Silva teria recebido insumos de construção mediante promessa de apoio eleitoral.

Na decisão publicada no último dia 28, o juiz indeferiu o pedido de extinção da ação feito pela defesa de Arizão, destacando que:

“A narrativa trazida na inicial, portanto, vincula o representado à prática dos fatos tidos como abusivos, ainda que em tese, o que justifica sua permanência no polo passivo da presente demanda”.

O magistrado também determinou a quebra do sigilo fiscal da empresa Edenilson Oliveira de Almeida & Cia Ltda, fornecedora do cimento, no período de 01/10/2024 a 10/10/2024, especialmente no que diz respeito às notas destinadas ao referido eleitor e aos supostos envolvidos no esquema.

Além disso, foi autorizada a junção de provas de outro processo que apura supostas irregularidades envolvendo uso indevido de carro de som e eventos políticos no estilo “showmício”, proibidos pela legislação eleitoral.

A disputa eleitoral em Nova Olímpia foi acirrada: Arizão venceu com 3.979 votos (40,79%), contra 3.850 votos (39,46%) de João Carlos, uma diferença de apenas 129 votos. A pequena margem aumenta a relevância das investigações, pois eventual comprovação de abuso de poder pode alterar o resultado do pleito.

A audiência de instrução está agendada para o dia 5 de junho de 2025, às 9h, na sala da 3ª Vara Cível de Tangará da Serra/MT, com previsão de realização híbrida (presencial e por videoconferência).

Caso as acusações sejam confirmadas, os representados podem ser penalizados com cassação de diploma, declaração de inelegibilidade e novas eleições, conforme previsão do artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990.

O caso segue em andamento, e a sociedade civil acompanha com atenção o desdobramento da investigação, que poderá se tornar um dos maiores escândalos eleitorais do interior mato-grossense.

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