O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi divulgado nesta segunda-feira (13) no portal do candidato, e um detalhe chamou atenção da professora de redação Adjane Fernandes, de Tangará da Serra (MT). De acordo com o Ministério da Educação (MEC), apenas 12 alunos de 10 estados brasileiros alcançaram a nota máxima na prova, sendo um deles da rede pública de ensino. Os estados que registraram essa conquista foram: Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Para discutir esse feito, que evidencia um cenário preocupante, Adjane Fernandes concedeu uma entrevista exclusiva ao site Clique Sim Notícias. Em uma conversa reveladora, a professora aborda as causas e as implicações desse resultado.
1- De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, apenas doze alunos garantiram a nota máxima na redação do Enem em todo o Brasil. Como professora, o que você espera dessa geração e das próximas?
A: Demonstra minha preocupação com as próximas gerações, haja vista que um resultado como esse faz com que os alunos percebam que o sonho de aprovação ou ingresso em uma universidade é uma realidade distante ou que não faz sentido, evidenciando assim a desigualdade educacional, que se manifesta por meio do abandono escolar e, quando não se encontra trabalho, da marginalização.
2- Como os pais devem lidar com esse geração desinteressada nos estudos?
A: Os pais precisam, de fato, entender que os filhos devem ter uma atenção voltada à educação. A educação deve ser prioridade, assim como os bens de consumo, ou as próximas gerações estarão fadadas ao fracasso. Afinal, não há políticas públicas que auxiliem esses alunos, muito menos profissionais capacitados para atender à demanda. Fica difícil reverter um quadro sobre o qual pouco se fala, pouco se discute e pouco se investe.
3- Um resultado desesperador para um país com milhões de estudantes. Você, enquanto professora, qual é a sua opinião?
A: Esse resultado foi o pior da década, e não culpo nossos alunos, mas sim um sistema rigoroso de correção que descredibiliza o conhecimento deles. Antes, a redação passava pelo crivo de dois corretores; hoje, é avaliada por um terceiro, denominado supervisor. A mudança de banca — da FGV para o CEBRASPE — em 2023 e 2024, somada aos novos critérios de correção e regras, confundiu os professores de cursinho e alguns alunos. Imaginávamos que haveria dificuldades, mas não tantas exigências e a necessidade de proficiência acima da média em algumas disciplinas.
4- O que esperar do ensino público? Infelizmente apenas um aluno conseguiu nota máxima.
A: É lastimável que a mesma rede de ensino responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio seja capaz de inviabilizar disciplinas e profissionais qualificados para a ministrar essas aulas nas escolas públicas. Pouquíssimas instituições públicas possuem professores especialistas em questões do Enem e redação, além de não haver incentivo para que os alunos busquem o ingresso nas universidades. Não podemos descredibilizar nossos colegas que fazem do ‘limão uma limonada’, todos os dias. A culpa não é do professor, mas do sistema que não garante uma formação adequada e uma aprendizagem de qualidade.
Dessa forma, o país está vivendo a triste realidade de que apenas um aluno da rede pública de todo o Brasil alcançou a nota máxima na redação do Enem, evidenciando as profundas desigualdades educacionais no país, apontando a urgência de uma revisão nas políticas de acesso e qualidade do ensino nas escolas públicas.
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