Thaís Reckziegel
Temos recebido notícias recorrentes de mulheres que são assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. No primeiro trimestre de 2026, a cada 5h30 uma mulher foi assassinada no Brasil, vítima de feminicídio (de acordo com os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública).
Há sempre vários argumentos na tentativa de justificar tal ato brutal e culpabilizar a vítima. Quando não encontram argumentos suficientes para isso, tentam alegar um suposto adoecimento mental por parte do assassino, para justificar tamanha crueldade (e o que mais me assusta aqui é perceber que há profissionais de saúde mental que compactuam com esse argumento).
Mas a verdade é que isso vem acontecendo porque fazemos parte de uma sociedade em que normalizou a violência contra as mulheres, tratando as pessoas do gênero feminino como meros objetos.
Quando chega ao extremo de um assassinato é porque aquela mulher já passou por várias outras violências: moral, psicológica, patrimonial, física… até ter sua vida interrompida por um homem se acha seu dono, ao ponto de escolher, inclusive, o momento de sua morte.
Entre as que sobrevivem, as marcas ficam para além das estatísticas: o medo de ser a próxima vítima; as filhas que crescem sem mãe; as mães que perdem suas filhas; o vazio de uma ausência que jamais será preenchido e a lembrança de uma vida que foi brutalmente interrompida.
Além disso, fica o nó na garganta de ver a justiça falhando com essas mulheres, o Estado se omitindo na sua responsabilidade de promover a segurança para todos e a sociedade se calando diante de tamanha violência.






