Vereadores aprovam projeto ilegal da prefeitura sobre jornada de enfermagem em Tangará da Serra

Câmara aprova projeto ilegal da jornada 12x36 em Tangará da Serra
Vereadores aprovam projeto de lei nº 300, acusado de ilegalidade pelo sindicato. Imagem: Reprodução

Gabriel Tolentino

A Câmara de Vereadores de Tangará da Serra aprovou, nesta terça-feira (24/09), o Projeto de Lei nº 300 de 2025, que altera a jornada de trabalho e a carga horária dos servidores públicos da enfermagem. Com a mudança, os enfermeiros deixarão de cumprir a jornada de 8 horas por dia, passando para o regime 12×36, ou seja, 12 horas de trabalho por dia, com 36 horas de descanso, jornada que excede as 40 horas semanais e passa a ser de 44 horas semanais.

De acordo com a Lei Municipal nº 2.875, de 2 de abril de 2008, qualquer alteração na carga horária de setores públicos deve ser acordada entre a administração municipal, os profissionais da área envolvida e a entidade sindical que representa os servidores. Segundo Willians Reis, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Tangará da Serra (SSERP), nenhuma articulação prévia foi realizada entre a prefeitura, o sindicato e os servidores.

Além da mudança na jornada, Willians também comentou sobre os impactos que a alteração pode causar na vida dos profissionais:

“A jornada de 12×36 pode gerar riscos à saúde do trabalhador, como exaustão física e mental, distúrbios de sono e grande risco no aumento de acidentes de trabalho. Além disso, diminui o tempo disponível com a família e atividades pessoais, afetando o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.”

O Projeto de Lei foi enviado para votação pelo Poder Executivo, por iniciativa do prefeito Vander Masson, e aprovado por 6 votos favoráveis e 5 contrários. Os vereadores que votaram a favor da alteração foram:

Dona Neide (União)
Escobar (PL)
Evânia Félix (MDB)
Hélio da Nazaré (PL)
Renato Calhas (União)
Romer Japonês (MDB)

Segundo a Prefeitura, a alteração da jornada busca garantir que os serviços da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) funcionem de forma contínua e ininterrupta. Porém, de acordo com o presidente do SSERP, os servidores da UPA nunca deixaram a unidade sem funcionários, o que garante o funcionamento ininterrupto dos serviços prestados. Já no caso do SAMU, o serviço exige uma jornada de trabalho diferenciada, que deveria ser tratada diretamente com a equipe para adequações pontuais.

Veja vídeo:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Recentes
Nos envie uma denúncia