Engenheiro agrônomo acusado de matar esposa em MT é internado em hospital psiquiátrico particular

Imagem: Reprodução

Primeira Página

O engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a mulher dele, a terapeuta capilar Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, está internado em um hospital psiquiátrico particular em Cuiabá. O crime ocorreu em 24 de junho de 2025, em Lucas do Rio Verde (MT) e completou um ano recentemente.

Ao Primeira Página o advogado de Daniel, Ricardo Monteiro, informou que o acusado foi internado diante do quadro de saúde mental instável que apresenta e faz tratamento com uso de medicamentos e terapia.

De acordo com a defesa, o engenheiro teve de ser transferido por determinação judicial para o hospital particular diante da falta de vagas no Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho. Com isso, as despesas da internação de Daniel são custeadas pelo Estado.

O Primeira Página entrou em contato com a assessoria da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) para saber a atual lotação do Hospital Adauto Botelho e se existem vagas disponíveis para novos pacientes. Contudo, até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Em abril deste ano, a Secretaria de Saúde do Estado havia informado que o Hospital Adauto Botelho possuía 98 leitos de internação ativos, sendo 66 leitos na Unidade 1 (todos ocupados) e 32 leitos no CIAPS AD (23 ocupados).

“A SES esclarece que cumpre a legislação vigente (portaria nº 471/2021/GBSES) e dispõe de 12 vagas para pessoas com transtorno mental em conflito com a lei, sendo 10 leitos masculinos e 2 leitos femininos, todos atualmente ocupados”, dizia trecho da manifestação.

Ciaps Adauto Botelho
Por falta de vagas no Ciaps Adauto Botelho, acusado de feminicídio vai para hospital particular. – Foto: Reprodução

Atualmente, o processo criminal contra Daniel está suspenso em razão do incidente de insanidade mental, procedimento que avalia se o acusado tinha capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos no momento do crime.

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) informou que o exame solicitado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) foi concluído por uma junta médica.

Este é o segundo exame de sanidade mental ao qual Daniel foi submetido. Segundo a Politec, a primeira perícia foi realizada em 11 de setembro de 2025. Posteriormente, por determinação da Justiça, ele passou por uma reavaliação em 5 de dezembro do mesmo ano.

Já em 7 de janeiro deste ano, uma nova perícia foi realizada por uma junta composta por três peritos. O laudo foi concluído e disponibilizado em 22 de junho, sendo encaminhado à autoridade requisitante para juntada aos autos do processo.

Até o momento, porém, o documento ainda não foi anexado ao processo e, por isso, o conteúdo e a conclusão do laudo permanecem sob sigilo.

Primeiro exame é anulado

O primeiro procedimento de insanidade mental foi feito a pedido da defesa, que alega surto psicótico em justificativa do ocorrido. O pedido foi aceito pela Justiça para que ele fosse avaliado por uma junta médica especializada.

Em novembro de 2025, laudo da Politec atestou que Daniel poderia ser considerado inimputável em razão de quadro depressivo, ou seja, que não tinha a capacidade de entender o caráter ilícito do ato ou se autodeterminar no momento da prática.

Contudo, em dezembro de 2025, a Justiça acolheu uma manifestação do MP em relação ao laudo e determinou a realização de nova perícia médica por junta oficial, composta por pelo menos três especialistas em psiquiatria forense.

A decisão aponta que o laudo pericial anterior não apresentou provas suficientes para confirmar que o acusado era totalmente incapaz de responder pelos atos quando o crime foi cometido.

Ao Primeira Página, o advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família de Gleici e atua como assistente de acusação, que pretende juntar ao processo imagens de câmeras de segurança da casa da família, que não compactua com a tese da defesa de Daniel sobre possível surto.

Crime e comoção em Lucas do Rio Verde

Daniel Bennemann Frasson é acusado de matar a esposa, Gleici Keli em 24 de junho de 2025. Em seguida, ele atacou a filha, de 7 anos, que dormia junto da mãe, na casa da família, na Avenida das Acácias, bairro Bandeirantes, em Lucas do Rio Verde.

No local, a polícia entrou no quarto e encontrou Gleici na cama, sem sinais vitais. Já a filha do casal foi socorrida por amigos da família e encaminhada a um hospital na cidade.

Daniel Bennemann Frasson está internado em um hospital psiquiátrico particular em Cuiabá. Foto: Arquivo pessoal
Daniel Bennemann Frasson está internado em um hospital psiquiátrico particular em Cuiabá. Foto: Arquivo pessoal

A menina foi transferida para uma unidade hospitalar em Cuiabá e passou dias internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), tendo alta médica posteriormente.

Daniel teria tentado tirar a própria vida no dia do crime e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Ele permaneceu dias internado e posteriormente transferido para uma penitenciária em Sorriso (MT).

O corpo de Gleici foi levado para Tangará da Serra, onde foi velado e sepultado. O laudo da Politec apontou que ela foi morta com cerca de 20 facadas.

Meses depois, o juiz Fábio Pettengill, da 2ª Vara Criminal de Lucas do Rio Verde, recebeu a denúncia do promotor de Justiça do MPMT, Samuel Telles, e tornou Daniel réu por feminicídio.

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