Repórter MT
Imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito da Polícia Civil registraram o momento em que caminhões faziam a retirada de cargas de cestas básicas em Barra do Garças (a 511 km de Cuiabá), em Mato Grosso. Os mantimentos deveriam abastecer famílias em situação de extrema pobreza, mas foram desviados. Os flagrantes em vídeo sustentam as investigações da Operação Mesa Vazia, deflagrada hoje (3).
A investigação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso revelou um sofisticado esquema de desvio de bens públicos assistenciais no município. O alvo do grupo criminoso era o Programa SER Família Solidário, coordenado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).
Estima-se que aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza tenham sido desviados, gerando um prejuízo de R$ 1.950.000,00 aos cofres públicos.
O modus operandi da organização criminosa envolvia fraudes documentais e a utilização de entidades beneficentes como fachada. Servidores públicos da liderança do esquema, identificados como Benier Marcos Silva e Renato de Souza Soares, assinavam a liberação das cargas na Arena Pantanal, em Cuiabá, como “responsáveis legais” de associações locais, sem o consentimento ou conhecimento dos verdadeiros presidentes.
Para transportar as mercadorias de forma clandestina, o grupo utilizava caminhões caçamba da Secretaria Municipal de Educação de Barra do Garças e pagava diárias extras privadas a motoristas da prefeitura para descarregar o material em chácaras particulares e galpões distantes dos olhos da fiscalização.
A linha investigativa aponta que o esquema criminoso operava em duas frentes de destinação ilícita. Na primeira, cinco vereadores do município:
Valdeí Leite Guimarães
Adilson Tavares Lopes
Allankley Lopes de Souza
Armando José de Brito
Elton Melo Marques
Eles utilizavam camionetes e carretinhas particulares para retirar lotes de alimentos e distribuí-los de forma informal, sem cadastro de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), Número de Identificação Social (NIS) ou prestação de contas, visando à promoção política pessoal.
Na segunda frente, os kits de higiene e limpeza eram deliberadamente separados das cestas de alimentos e direcionados para a comercialização ilegal em um estabelecimento comercial de Cuiabá, o Super Santo Antônio, pertencente ao irmão de um dos operadores logísticos do grupo.
As provas coletadas incluem transações bancárias via PIX que confirmam o pagamento de propina e diárias clandestinas aos motoristas, além de mensagens de WhatsApp que detalham a articulação do grupo.
A perícia técnica também constatou fraudes cronológicas grotescas, como termos de entrega de mercadorias datados de um mês antes da emissão da própria Ordem de Serviço oficial de liberação.
Imagens de câmeras de monitoramento obtidas pela polícia flagraram a divisão e o descarregamento dos alimentos em propriedades privadas.
Veja o vídeo:






