PF aponta Faissal como operador financeiro de desembargador afastado; movimentações superam R$ 3,2 milhões

Imagem: Reprodução

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As investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Gemini revelaram que o deputado estadual Faissal Calil (PL) seria o principal operador financeiro do desembargador afastado Dirceu dos Santos em um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Poder Judiciário de Mato Grosso.

De acordo com a própria PF, Faissal, que trabalhou no gabinete do magistrado entre 2017 e 2018, atuaria como uma espécie de “longa manus” — expressão jurídica utilizada para designar alguém que age como extensão da vontade de outra pessoa — do desembargador.

Segundo a investigação, o parlamentar integrava uma estrutura destinada ao recebimento, ocultação e dissimulação de valores supostamente obtidos de forma ilícita.

As apurações tiveram início a partir da análise de dados telemáticos extraídos de aparelhos celulares, relatórios de inteligência financeira e informações compartilhadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O material reunido indicaria a existência de um complexo esquema de interposição patrimonial e financeira para ocultar a origem dos recursos.

Conforme a Polícia Federal, Dirceu dos Santos utilizava pessoas de sua estrita confiança para operacionalizar as movimentações financeiras. Entre elas estaria Faissal Calil, apontado como responsável por auxiliar no recebimento de vantagens indevidas, na quitação de passivos familiares e na realização de triangulações imobiliárias supostamente simuladas com a participação de terceiros utilizados como “laranjas”.

As investigações sustentam que as operações tinham como finalidade conferir aparência de legalidade aos recursos obtidos por meio das supostas práticas criminosas.

A análise das movimentações bancárias também identificou uma expressiva circulação paralela de recursos. Segundo a PF, foram detectados depósitos e saques em espécie que superam R$ 3,2 milhões, além de repasses financeiros sem justificativa negocial aparente provenientes de empresas do agronegócio envolvidas em disputas fundiárias que tramitavam no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

A operação foi batizada de “Gemini”, termo em latim que significa “gêmeos”. Segundo a investigação, o nome faz referência direta à relação de complementaridade existente entre os supostos operadores do esquema. Para a Polícia Federal, havia uma atuação conjunta e coordenada entre os investigados: enquanto o desembargador exerceria influência no plano formal da atividade jurisdicional, seu suposto operador atuaria na esfera financeira, sendo responsável pela captação de vantagens indevidas, ocultação patrimonial e dissimulação de ativos.

A PF sustenta que a estrutura investigada demonstra uma “perfeita coautoria funcional” voltada à mercancia de atos de ofício, hipótese que fundamentou as medidas judiciais cumpridas na Operação Gemini.

A OPERAÇÃO

A operação cumpre mandados de busca e apreensão domiciliar, busca pessoal e medidas de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático de investigados. Dirceu dos Santos e Faissal Calil são os principais alvos. A investigação apura a atuação de envolvidos em suposto esquema voltado à comercialização de decisões judiciais e à ocultação de recursos de origem supostamente ilícita.

Dirceu dos Santos está afastado das funções desde março deste ano, por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após o avanço das investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo decisões judiciais. O magistrado passou a ser investigado depois que seu nome surgiu em análises realizadas no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá.

Já Faissal, possui uma antiga ligação profissional com o desembargador. Faissal foi servidor do Tribunal de Justiça e atuou no gabinete de Dirceu dos Santos entre os anos de 2017 e 2018. Posteriormente, deixou o cargo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), onde exerce mandato.

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