Alunos receberam notas sem ter aulas de informática, denuncia presidente do TCE

Imagem: Reprodução

Mídia Jur

Durante visita à Escola Municipal Francisco Pedroso da Silva, no bairro São Francisco, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, mostraram gastos desnecessários com o dinheiro público promovidos na Secretaria de Educação entre os anos de 2025 e 2026, período em que a pasta foi comandada por Amaury Monge.

Kits escolares sem a mínima necessidade foram entregues nas escolas e, para justificar sua utilidade, a pasta “criou” disciplinas que sequer são ministradas nas unidades escolares.

Na unidade visitada, havia diversos materiais relacionados à saúde bucal. O que chama atenção é que, mesmo se tratando de uma escola infantil, com diversos alunos ainda com dentes de leite. Os kits, em sua maioria, era de uso para pessoas adultas.

Um outro material era referente a kits de informática. Todavia, na escola sequer é ministrada a disciplina de computação, pois não existe laboratório de informática. E o pior: notas foram lançadas nos boletins escolares.

“O boletim aqui dessa escola, as crianças têm nota de computação informática. Em outras escolas, estão dando nota para as crianças no boletim para justificar isso aqui”, denunciou Sérgio Ricardo.

“Essa criança, não vou dar o nome aqui. Essa criança, ela ganhou nota 7 e nunca recebeu aula. Ela não tem aula”, enfatizou.

Sérgio suspeita que a nota escolhida para os alunos era suficiente para passá-los de ano. Nas unidades municipais, a nota média é 6.

“Isso aqui é coisa de malandragem, é malandro”, disparou o presidente do TCE, destacando que as fraudes não era feitas nas escolas e sim por ordem dos gestores da secretaria.

SUPOSTA FRAUDE DE R$ 80 MILHÕES

Na quarta-feira (27), Abilio Brunini denunciou um suposto esquema envolvendo aquisições de materiais didáticos, principalmente livros, nos anos de 2025 e 2026. A denúncia foi encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), MPMT e Polícia Civil.

Ao detalhar a possível fraude, o prefeito afirmou que foram identificadas compras em excesso, sobrepreço e materiais de qualidade duvidosa, possivelmente produzidos com uso de inteligência artificial.

“Foi feita aquisição de material, livros principalmente, em excesso, de forma desnecessária. E o montante das aquisições pode ultrapassar R$ 70 milhões. É um absurdo o que aconteceu lá”, declarou.

Abilio também afirmou que parte dos materiais não teria valor pedagógico.

“Na hora que a gente pega o material, o material é feito com Inteligência Artificial, não tem nada demais no material, qualquer pessoa poderia ter feito aquele material”, disse.

Sérgio Ricardo exibe boletim de aluno com disciplina de informática; na escola não há laboratório.

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