Repórter MT
A Polícia Civil de Mato Grosso confirmou que o feminicídio da empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, teve motivação financeira. O crime, cometido pelo esposo da vítima, Jackson Pinto da Silva, foi detalhado nesta quinta-feira (7) pela delegada Jéssica Assis, do Núcleo de Combate ao Feminicídio, durante coletiva sobre o caso.
Segundo as investigações, Jackson teria planejado o assassinato e criado uma falsa narrativa de desaparecimento para tentar encobrir o crime ocorrido na última segunda-feira (4), em Cuiabá. A delegada destacou que a mesma estratégia foi observada em outro caso recente de feminicídio, o de Elzilene Alves Nascimento, morta com 10 facadas pelo marido, que também registrou um falso desaparecimento da companheira após o crime.
À imprensa, a delegada Jéssica Assis, afirmou, ainda que, antes de inventar a versão de um suposto sequestro de Nilza, Jackson teria clonado o WhatsApp da empresária com ajuda de um possível cúmplice. A polícia apura que ele também fez ligações simulando ser sequestradores para dar credibilidade à história apresentada à família.
“Constatamos que se tratou realmente de um crime premeditado. Esse suspeito simulou inclusive um sequestro dessa vítima”, afirmou Jéssica Assis.
De acordo com a investigação, Jackson teria afirmado aos familiares que criminosos exigiam inicialmente R$ 30 mil em troca da vida de Nilza. Ele chegou a fazer uma transferência de R$ 500 como suposta prova de vida, mas, conforme a polícia, a vítima já estava morta naquele momento.
A tranquilidade demonstrada pelo suspeito durante as buscas levantou desconfiança entre familiares da empresária, que passaram a contestar a versão apresentada por ele e procuraram a polícia.
A investigação também apura a participação de outras pessoas no crime. Segundo a delegada, celulares, um notebook e HDs com imagens de câmeras de segurança foram apreendidos para análise. A polícia quer identificar se houve ajuda apenas na simulação do falso sequestro ou também na execução do feminicídio.
O crime
Nilza foi assassinada enquanto dormia, entre a noite de domingo (3) e a madrugada de segunda-feira (4), na residência do casal, em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, ela foi morta por estrangulamento com o uso de um lacre plástico conhecido como “enforca-gato” e ainda teve braços e pernas amarrados.
“Ele enforcou ela com o ‘enforca-gato’”, afirmou a delegada Eliane da Silva Moraes.
Após o assassinato, o suspeito ocultou o corpo em uma cratera de cerca de dois metros de profundidade, nos fundos de outro imóvel, no bairro Parque Cuiabá. O cadáver foi encontrado enrolado em um lençol e retirado com auxílio de maquinário pesado.






